
Ela era feliz, forte… Tinha um sorriso que alegrava muita gente. Ela era tudo o que gostariam de ser: única, despreocupada, amiga. E quando a olhavam não percebiam. Tudo passava apenas duma capa que ela tinha arranjado para que nunca percebessem o que ela tanto queria esconder. Mas quem poderia imaginar que por detrás de toda aquela alegria, encontrava-se uma pessoa solitária, fraca, acabada. Ela parecia feliz, mas não era! Seus olhos gritavam por ajuda. Ela vivia normalmente mesmo sabendo que por dentro, tinha morrido. Como ninguém entendia que seu sorriso era falso, ela continuava a esconder a dor na esperança de continuar a passar despercebida. Em casa, falavam para ela seguir em frente mas nunca se colocaram no seu lugar; nunca quiseram saber o que ela sentia, o que ela pensava. Ela não se importava. Assim que acordava, colocava sua capa e lá ia, alegrar a vida dos outros, deixando a dela para trás. Seu erro era esse mesmo: guardar a sua dor para curar a dos outros; desejar mais a felicidade alheia do que a própria. Mas ela cansou-se! Não queria mais saber… de nada. Descuidou-se nas amizades, na família e na escola. Eram demasiadas desilusões para uma pessoa só. As forças começaram a esgotar-se, a solidão aumentava, a dor era insuportável. Ela já não era a mesma. A angustia começa a notar-se, seus olhos já não eram os mesmos, mostravam sinais de noites mal dormidas. Ninguém reconhecia aquela que antes alegrava o mundo. Sozinha, longe de tudo e todos, ela mergulhava mais fundo no desespero. Ela chorava todas as noites, no escuro, envolvida nos sentimentos entrelaçando-os com as lágrimas abafadas no travesseiro. A dor aglomerada teimava em transparecer. Ela só via uma solução. Substituir aquela dor. Começou por se arranhar. Nunca pensou chegar mais longe mas era cada vez mais insuportável. Ela pegou na tesoura e com consciência do seu acto, deitou-se na cama com o braço num estado deplorável. Dia sim, dia não. Mais uma vez, e outra. Tinha se tornado num ciclo vicioso. Ela não conseguia parar. Da tesoura a lâmina, dos braços as pernas. Ela necessitava de ajuda mas ninguém se chegava a frente. Lentamente, ela destruía-se! Sua vida aguentava-se por um fio! Ela não dava conta do mal que estava a cometer consigo mesma mas no entanto dizia para si mesma “Estou bem!“…
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